quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Matematicamente impossível

Tudo na minha vida tem um fim, os espaços, os tempos, e as pessoas têm um fim. As ultimas especialmente, vou eu acabando com elas e em grande parte elas comigo. As razões para o fim das pessoas é tão simples quanto a formula da minha vida. Matematicamente a minha vida são várias rectas paralelas que não se tocam, simplesmente têm pontos moveis que fazem fracas ligações entre elas, não sei se estas ligações são suficientes nem sequer se existem mas tudo na minha é isto: rectas paralelas que têm em comum o vazio e formam um sistema impossível, é nisto que a minha vida se estás a tornar, IMPOSSÌVEL. Não porque alguém o esteja a fazer, mas porque eu fiz, porque eu o faço. Sou insatisfeita com a satisfação. Mudo tudo, porque nada está bem, mudo nada, porque tudo está mal. E hoje algo de facto sólido e imóvel na minha vida, a recta mais longa, mudou. E passou a ser um segmento de recta. Com inicio e fim. Mudei tudo aquilo que tinha na minha vida, ou pelo menos tudo aquilo que eu achava que ia ser dela. Hoje bebi o ultimo golo da fonte eterna de amor que ocupava a minha vida. A verdade é que a fonte secou. Nunca me imaginei sem o Miguel ao meu lado, vi toda a minha vida ao lado dele, a casar com ele, a ter filhos com ele, a envelhecer e morrer com ele. Porque nós éramos diferentes. Hoje, objectivamente olha para isto e digo: o amor ilude muito, e enquanto amamos tudo acaba, sejam dois ou três ou cinquenta anos, tudo tem um fim. Eu achava que não, achava que a minha vida ia ser um conto de fadas. E foi, mas o que eu sei da vida é que a mesma são só dois dias e o meu namoro foram dois anos.


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