terça-feira, 25 de setembro de 2012

Agridoce

Dizem que a vida é um conjunto de etapas que se vai ultrapassando. Talvez esta seja uma das mais difíceis ou diria antes a mais agridoce. Fazer as malas, olhar uma ultima vez o quarto, sentir o cheiro da casa, olhar para os pais e ver chegar aquele momento... Ir embora. Mudar de vida e cair na distância dos que mais gostam de nós. Não viver com os pais é lavar a louça todos os dias, é comer o pão de ontem e de anteontem... É ter o congelador cheio, é fazer a lista do supermercado, é cozinhar, lavar, limpar, controlar, é chegar a más horas, é estar mais tempo só, é dormir pouco, é ter saudades do colinho, do mimo, é receber cinco telefonemas por dia; é chegar a casa, à nossa verdadeira casa, e cheirar a arroz de pato ou a bolo de maçã; é ouvir o discurso de o: agora porta-te bem, tem cuidado a atravessar a estrada, tem cuidado lá com as pessoas com quem falas. Sair de casa dos pais é distância de toda uma vida que já não volta mais. Nunca pensei que aceitasse tão bem este período mas também nunca pensei que fosse esta avalanche de sentimentos. Acho que tanta mudança me deixa tonta... Mas aqui vou estando na casa de Lisboa, a 375 km da minha casa, a jantar sozinha, o jantar que eu fiz e que nada tem a ver com o jantar que a minha mãe faz. É assim, só mais uma etapa.

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